Rota Vicentina: Zambujeira do Mar – Odeceixe

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DISTÂNCIA: 18 kms · DURAÇÃO: 6h40m

O CANSAÇO

Último dia desta viagem. De Zambujeira do Mar até Odeceixe restavam percorrer os últimos 18 quilómetros do trilho dos pescadores da Rota Vicentina. Após Odeceixe, é possível continuar a Rota até Sagres pelo Caminho Histórico, contudo – por enquanto – a nossa viagem iria terminar no final desta etapa.
Saindo de Zambujeira do Mar entramos no trilho que invariavelmente é percorrido junto à falésia que nos iria levar até à praia dos Alteirinhos. Ainda meio adormecidos pelo despertar madrugador e pelo cansaço acumulado, estava a ser difícil absorver as sensações e as paisagens desta etapa. A máquina fotográfica trabalhava pouco e o diálogo era reduzido. Limitamo-nos a caminhar para tentar despertar.

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A IMORTALIDADE DE UM SÍMBOLO

Sensivelmente a meio do percurso chegamos a uma praia cujas falésias cobertas de erva verde e flores, rodeavam o areal onde desagua um pequeno ribeiro numa queda de água, vindo da encosta onde no topo está o que parece ser uma bela casa de férias. O cenário ideal para um refúgio perfeito para o isolamento, longe daquilo que era uma vida pouco normal. O nome do local imortaliza quem aqui passava os dias de Verão: praia da Amália.

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UM ADEUS DEMORADO

A vista icónica sobre a praia de Odeceixe a partir da Ponta em Branco significa que o final do Trilho dos Pescadores está próximo. Tínhamos planeado descer até à praia e aí chamar um táxi, sabendo que restavam percorrer 3 quilómetros por estrada até Odeceixe. O cansaço acumulado e a pouca vontade em caminhar junto à estrada como no dia anterior justificaram esta decisão.
Ligamos para o táxi – “o” táxi – de Odeceixe para nos vir buscar. Atende uma simpática senhora, apenas para nos dizer que estaria indisponível todo o dia. Fornece-nos o número de outro táxi, talvez “o” táxi de Odemira se a memória não me falha, apenas para saber que o mesmo se encontrava longe e que só estaria disponível na melhor hipótese daí a duas horas e talvez só ao final do dia. Assim o destino ditou que o final fosse percorrido como até aí: a pé.

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A longa e deserta estrada até Odeceixe, sob o sol particularmente quente daquele início da tarde, apenas suavizado pelas poucas sombras encontradas pelo caminho, foi uma longa e demorada despedida, mas condizente com a forma ideal de encarar um passeio pela costa alentejana: calma e lentamente – e isto não é uma referência à velha e gasta “piada” regionalista, mas à ideia de que tudo o que é bom deve ser aproveitado ao máximo. E é de todo recomendável que se percorra, a pé e calmamente, este Trilho dos Pescadores. Um projecto exemplar de turismo sustentável.

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