Rota Vicentina: Porto Covo – Vila Nova de Milfontes

Rota Vicentina

DISTÂNCIA: 20 kms · DURAÇÃO: 6h40m

Saímos de manhã cedo do Ahoy Porto Covo Hostel, onde passamos a noite a recuperar das longas horas passadas no comboio e no autocarro no dia anterior. O anfitrião Nicolau teve a gentileza de nos dar várias recomendações para todas as etapas do Trilho dos Pescadores. Uma ajuda preciosa, que permitiu antecipar problemas e facilitou o planeamento de algumas questões para os dias seguintes.

A AREIA

A primeira etapa do Trilho dos Pescadores, não sendo a mais longa, será provavelmente a mais dura pois o piso é maioritariamente arenoso. Logo nos primeiros quilómetros, com a ilha do Pessegueiro a dominar a paisagem, já a areia sob os nossos pés dificultava a progressão. Assim que chegamos à Praia do Queimado, aproveitamos a possibilidade de seguir sempre pelo areal mais compacto. Até à praia do Malhão é possível seguir sempre junto ao mar durante quase 5 quilómetros, contudo há que ter em conta o estado do mar e as marés pois num ou dois pontos o areal estreita e a passagem poderá ser complicada ou mesmo muito perigosa. Na praia dos Aivados o areal é maioritariamente ocupado por calhaus arredondados pelas ondas, dificultando a escolha do melhor caminho.

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AS FALÉSIAS

No alto da falésia junto à praia do Malhão, vemos o longo areal que acabamos de percorrer. Ao fundo no horizonte avistamos as torres da refinaria de Sines e mais para o interior as nuvens negras da tempestade que naquele dia atingiu Lisboa e arredores, e que contrariamente às previsões acabou por não nos afectar. Paramos no alto para observar tudo à nossa volta. Ali a perspectiva muda tudo. Só dali do alto pudemos apreciar a paisagem surpreendente do longo caminho que acabamos de percorrer no areal. Era apenas o primeiro dia e já estava a valer a pena.

A partir daqui e até ao final desta etapa o caminho era percorrido junto às falésias, tão frequentadas pelos pescadores que baptizam este trilho e que parecem pouco preocupados com o risco de estarem sentados à beira do precipício. Por outro lado, as cegonhas que por aqui já abundam, escolhem a segurança dos pináculos de rocha para nidificar. Quando se está junto a um penhasco, ter asas é seguramente uma vantagem.

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PÉS DORIDOS

O final da etapa, da Ponta das Barcas até Vila Nova de Milfontes, foi mesmo a maior dificuldade do dia. Já com algum cansaço nas pernas (e nos pés), ter de percorrer quase 4 quilómetros em estradão com o final a ser feito pelo meio de urbanizações e com o centro de Vila Nova de Milfontes na altura todo em obras (o que dificultou bastante encontrar as marcas da rota) foi mesmo o único ponto menos positivo deste dia. Contudo é uma etapa belíssima e se há conclusão a tirar deste dia, é que percorrer a Rota Vicentina foi uma boa escolha. As pernas doíam após uma etapa longa, mas mal podíamos esperar pelo dia seguinte.

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