Islândia 2010 – Parte V
- 18 Julho 2011
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Perto da meia-noite, o Sol ainda ilumina a Hallgrímskirkja e a estátua de Leif Ericson. Reykjavik, Islândia, 2010.
Dias 6 e 7: Reykjavik e regresso a Portugal
Durante o trekking deitava-me cedo, pois o cansaço da caminhada assim obrigava. Assim, só em Reykjavik pude apreciar pela primeira vez o sol da meia-noite.
Antes de viajar para a Islândia, diziam-me que não ia ser fácil dormir com luz solar permanente durante 24 horas. Bom, se durante o trekking não foi problema, em Reykjavik começaram-se a sentir os efeitos secundários. É muito estranho chegar à hora de ir dormir e ver o sol lá fora (embora só de vez em quando, pois o céu estava sempre muito nublado): o corpo está cansado e quer ir dormir, mas a cabeça diz-nos para ir lá para fora “fazer coisas”. No entanto, reconheço que mais estranho ainda foi quando cheguei a Portugal e vi noite escura pela primeira vez em 8 dias. Baralha-nos o sistema.
Se houver capital mais segura e calma que esta por favor digam-me. Polícia quase nem se via (e não andam armados), há poucos carros a circular na rua e melhor ainda, dão prioridade aos peões nas passadeiras mesmo que o semáforo esteja verde para os carros! Ver disto em Portugal nem daqui a um milhão de anos, e mesmo que aconteça certamente que vai envolver palavrões e buzinas. Agora que penso nisso, não aprendi nenhum palavrão em islandês. Ou não existem ou são os títulos das canções dos Sigur Rós (aos fãs: já se preocuparam em traduzir as letras das canções? Pensem nisso…).
Por esta altura já devem ter notado que não tenho muito para contar de Reykjavik. De facto não tenho. Mas não deixa de ser uma cidade interessante.
No dia seguinte levantei-me às 4 da manhã para ir para o aeroporto. No regresso fiz escala em Londres (Gatwick), onde esperei algumas horas pelo vôo para o Porto, onde chego ao final da tarde a tempo de ver a Espanha ganhar o Campeonato do Mundo.
Já os islandeses só se poderiam contentar com um Campeonato do Mundo de Festejo de Golos, esse de certeza que ganhariam à vontade. É um povo com a sua dose de loucura, talvez por viverem metade do ano no escuro. De outro modo como poderiam eleger um comediante para presidente de Câmara, ou ter uma primeira-ministra na pré-reforma que aprova o casamento entre homossexuais e é das primeiras a beneficiar da lei, ou mesmo atravessar rios com autocarros? E até podem estar falidos, mas vivem pacificamente numa ilha só para eles, da qual inteligentemente aproveitam os seus recursos, e os respeitam, preservam e convidam a visitar.
“O vulcão está desligado”, siga para a Islândia? Por mim, voltava já amanhã.




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